sexta-feira, 22 de junho de 2012

Divisão celular

A divisão celular pode ocorrer de duas maneiras:  mitose, onde uma célula-mãe se divide formando 2 células filhas, ambas com o mesmo material genético, importante para a regeneração de tecidos, crescimento, etc; ou meiose, na qual a célula-mãe se divide em 4 células filhas cada uma com a metade do material genético da célula progenitora, como ocorre na formação de gametas. A seguir será detalhado cada um desses processos:

Mitose: ocorre em 4 etapas:
1.    Prófase:
1.1. condensação da cromatina que esta duplicada;
1.2. lise do envoltório nuclear;
1.3. centriolos que já estão duplicados migram, cada par para um polo
2.    metáfase:
2.1.  migração dos cromossomos homólogos para o plano equatorial da célula, formando uma faixa na qual estão aderidos os microtúbulos, mais precisamente nas proteínas do cinetócoro.
3.    Anáfase:
3.1. Os cromossomos homólogos se separam atraves de um sistema de despolarização dos microtubulos.
4.    Telófase:
4.1. Reconstrução do envoltório nuclear
4.2. Cromossomos menos condensados
4.3. Reaparecimento da cromatina.



Meiose: ocorre em 8 etapas, divididos em meiose I e meiose II:
1.    Meiose I:
1.1. Prófase I: cromossomos duplicados, degeneração do envoltório nuclear. Possui 5 divisóes:
1.1.1.   Leptóteno
1.1.2.   Zigóteno
1.1.3.   Paquíteno
1.1.4.   Diplóteno: etapa mais importante na qual acontexe o crossing over, a troca de material genético através da formação de quiasmas.
1.1.5.   Diacinese
1.2. Metáfase I: grau máximo de condensação, cromossomos homólogos lado a lado no equador da célula.
1.3. Anáfase I: despolarização das fibras de microtúbulos, deslocamento dos cromossomos para os polos da célula.
1.4. Telófase: reorganização do envoltório nuclear, desespiralização dos cromossomos.
2.    Meiose II: semelhante à mitose comum, difere na anáfase, onde ocorre a separação das cromátides-irmãs e não dos cromossomos homólogos.


Gametogênese

São processos diferentes no macho e na fêmea, mas com o mesmo intuito: gerar células especializadas para a reprodução e apenas com metade do material genético do ser que o originou, através de meiose.

Oogênese: ocorre no interior do ovário, onde existem células germinativas primordiais das quais se originam as oôgonias, primeiras células da linhagem gametôgenica feminina. A partir de então ocorre uma divisão por mitose, formando os oócitos I, e então inicia-se uma meiose, para a formação do oócito II, porem a divisão estaciona na prófase I da meiose I, iniciando um período chamado de dictióteno, que ira durar até a puberdade da fêmea, na qual um oócito de cada vez completará a meiose I e será liberada do útero, pronto para ser fecundada e já com metade do material genético. No caso de haver a fecundação, a celula completa a divisão (meiose II) e será chamada então de óvulo. No caso de não haver, o oócito II é eliminado juntamente com o endométrio que estava espesso para uma possível nidação, é a chamada menstruação.


Espermatogênese: ocorre no interior do testículo. Das células germinativas primordiais, originam-se as espermatogônias que são células diploides, que se dividem mitoticamente para formar os espermatócitos I. estes, por sua vez, dividem se por meiose (reducional) e formam os espermatócitos II, estes já haploides. Depois disso ocorre a meiose equacional, formando as espermátides, que irão se transformar e originar os espermatozóides. Esta divisão ocorre durante quase toda a vida do animal, ao contrario do que ocorre na fêmea, que ao nascer já apresenta todas os gametas primordiais que terá durante toda a vida.

Abaixo temos imagem do que acontece na transformação da espermátide em espermatozóide:
E na próxima imagem, como são o espermatozoide e o óvulo ja formados:

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Diferenciação celular/ Células-tronco


A diferenciação celular é uma etapa muito importante durante o desenvolvimento de um zigoto. Ela acontece na mórula, o primeiro estágio da divisão após a fecundação, na qual o zigoto tem a aparência de amora devido as varias divisões mitóticas sucessivas. O zigoto mantem o seu volume inicial, porem com aumento no numero de células. Abaixo vemos uma imagem que exemplifica a quantidade de células que uma única célula desse região pode se diferenciar.



As células nesse período podem ser coletadas e utilizadas terapeuticamente em doenças como diabetes melittus, doenças neurodegenerativas, AVCs, e traumas na medula espinhal, devido a sua capacidade de diferenciação. São as chamadas células tronco. Existem ainda muitas discrepâncias no que diz respeito a essa técnica, principalmente de cunho religioso, que impedem o maior desenvolvimento e disseminação da mesma pelo mundo. Abaixo temos uma lista das legislações de alguns países em relação as células tronco:

    • África do Sul - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica. É o único país africano com legislação a respeito.
    • Alemanha - permite a pesquisa com linhagens de células-tronco existentes e sua importação, mas proíbe a destruição de embriões.
    • Brasil - permite a utilização de células-tronco produzidas a partir de embriões humanos para fins de pesquisa e terapia, desde que sejam embriões inviáveis ou estejam congelados há mais de três anos. Em todos os casos, é necessário o consentimento dos pais. A comercialização do material biológico é crime. Em 29 de maio de 2008 o Supremo Tribunal Federal confirmou que a lei em questão é constitucional, ratificando assim o posicionamento normativo dessa nação.
    • China - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
    • Coreia do Sul - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica
    • Estados Unidos - proíbe a aplicação de verbas do governo federal a qualquer pesquisa envolvendo embriões humanos (a exceção é feita para 19 linhagens de células-tronco derivadas antes da aprovação da lei norte-americana). Mas estados como a Califórnia permitem e patrocinam esse tipo de pesquisa (inclusive a clonagem terapêutica).
    • França - não tem legislação específica, mas permite a pesquisa com linhagens existentes de células-tronco embrionárias e com embriões de descarte.
    • Índia - proíbe a clonagem terapêutica, mas permite as outras pesquisas.
    • Israel - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
    • Itália - proíbe totalmente qualquer tipo de pesquisa com células-tronco embrionárias humanas e sua importação.
    • Japão - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
    • Reino Unido - tem uma das legislações mais liberais do mundo e permite a clonagem terapêutica.
    • Rússia - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
    • Singapura - permite todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.
    • Turquia - permite pesquisas e uso de embriões de descarte, porem proíbe a clonagem terapêutica das células tronco.

      A religião normalmente se mostra contra essa técnica devido ao modo como essas células são obtidas, pois é necessário que se fecunde um óvulo que será descartado após o procedimento. Isso é considerado um “assassinato” pela igreja, que diz que a vida existe desde o momento da fecundação. Os cientistas discordam e argumentam que a vida começa a existir apenas após a neurulação, que é a ultima fase do desenvolvimento embrionário onde surge o sistema nervoso do embrião.

      Abaixo temos uma imagem do desenvolvimento embrionário de diversas espécies do reino animal. Importante ressaltar que no inicio todos os zigotos são semelhantes, se diferenciando no decorrer do tempo. 



      Obrigada! 

      Referencias:
      http://biologiabio.blogspot.com.br/2008/11/reproduo-continuidade-da-vida-as-formas.html
      http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula-tronco
      http://www.sobiologia.com.br/conteudos/embriologia/reproducao7.php

      quinta-feira, 3 de maio de 2012

      Célula

      Vejam esse vídeo muito explicativo sobre a célula e algumas reações que acontecem no interior dela:
      Aconselho avançar ate 2:20 :)

      História da Histologia

      O post anterior me fez perceber o quanto a história da microscopia e da histologia estao ligados, por isso procurei um histórico que as relacionasse.
      Encontrei um texto muito bom, ai vai:
      "
      A curiosidade em ultrapassar os limites da visão acompanha o homem desde os tempos antigos. Com o surgimento das primeiras lentes, inicialmente usadas para tratar distúrbios da visão, o homem percebeu que tinha em mãos um instrumento que poderia levá-lo muito além. Graças à perseverança de muitos cientistas, hoje a contemplação dos planos molecular e  atômico é uma realidade.
      O termo histologia foi usado pela primeira vez em 1819 por Mayer, que aproveitou o termo “tecido” que o Dr. Xavier Bichat (anatomista francês) instituiu, muito tempo antes (por volta de 1800), para descrever macroscopicamente as diferentes camadas encontradas por ele no corpo animal. Mayer fez a conjunção do termo histos = tecido e logos = estudo. Bichat é reconhecido como o pai da histologia e patologia modernas. Apesar do fato dele ter trabalhado sem um microscópio, foi capaz de fazer avançar significativamente a compreensão do corpo humano. Ele foi o primeiro a introduzir o conceito de tecido como entidades distintas e sustentou a tese de que as doenças atacavam os tecidos em vez de todo o órgão.
              A  história da histologia é confluente com os avanços da microscopia. Muito antes (e durante) os experimentos do Dr. Xavier Bichat e Mayer vários cientistas trabalharam no desenvolvimento de lentes cada vez mais potentes.
              O surgimento da microscopia começa com a fabricação das primeiras lentes ópticas, através do polimento do vidro, pelo italiano Salvino d´Amato, em 1285. A ideia de combinar lentes para aumentar o tamanho dos objetos menores data de 1590 e deve-se a Zacharias Janssen, sendo, o primeiro microscópio por ele desenvolvido capaz de uma ampliação de cerca de 30x. A capacidade de ampliação foi evoluindo em consequência do aperfeiçoamento das lentes. No séc. XVII, Antonie Van Leeuwenhoek (físico holandês) desenvolveu o microscópio simples capaz de ampliações de até 200x e medindo apenas 6,7 centímetros, com o qual o cientista fez a primeira observação de bactérias, às quais na altura deu o nome de protozoários. Durante o séc. XVIII o microscópio tornou-se um objeto em moda, sendo fabricado por artífices com o propósito de servir como peça de decoração e satisfação da curiosidade dos ricos da época. Ainda neste século, o microscópio passa a fazer parte do processo de ensino das classes nobres e ricas da sociedade.
      No entanto, mesmo com as sucessivas conquistas no quesito ampliação, as imagens obtidas continuavam a ser de qualidade inferior, devido às dificuldades em eliminar as aberrações cromáticas e distorções resultantes de imperfeições das lentes. Apenas no século XIX, com o aperfeiçoamento dos sistemas de fabricação de lentes, conseguiu-se atingir o limite de resolução máximo possível utilizando luz visível. Surgem também neste século os primeiros microscópios binoculares (duas oculares em vez de apenas uma). Para a melhoria das imagens obtidas com o microscópio óptico, foram também cruciais os avanços obtidos na preparação do material biológico para observação (fixação, inclusão, corte e coloração). Os primeiros ateliers especializados na fabricação e comércio dos microscópios surgem em meados do século XIX, destacando-se o de Camille-Sébastien Nachet, inaugurado em Paris em 1835, e o de Karl Zeiss, inaugurado na Alemanha em 1846.
               Em consequência do desenvolvimento da microscopia, foi possível a observação e descoberta de inúmeras estruturas e seres vivos microscópicos até então desconhecidos, como bactérias, protozoários e fungos. Também graças ao desenvolvimento da microscopia, em 1835, Schleiden e Schwann, propõem as bases da teoria celular, primeiro grande princípio unificador da biologia, o qual postula que todos os organismos vivos são constituídos por células, sendo estas as unidades estruturais e funcionais dos mesmos.
      Já no século XX, surgem novas variantes do microscópio óptico, sendo de destacar a invenção do microscópio de contraste de fases (Zernicke, 1941) e o de contraste diferencial (Normanski, 1952).
      O aperfeiçoamento do microscópio óptico foi conduzido a tal ponto que, a única limitação era o grande comprimento de onda da radiação (luz visível) utilizada para iluminação, impedindo a obtenção de um maior poder de resolução. Esta dificuldade levou os cientistas a procurarem um modelo de microscópio que usando outro tipo de radiação para iluminação (com menor comprimento de onda que a luz visível) permitisse aumentar ainda mais a resolução.
      Em 1924, o físico Louis de Broglie, constata que um feixe de elétrons apresenta um comportamento idêntico aos raios luminosos, mas com um comprimento de onda 10.000x menor, o que lança os fundamentos da microscopia eletrônica, conjuntamente com a teoria do efeito de foco de um campo magnético ou eletrostático sobre um feixe de elétrons, desenvolvida em 1926 por Hans Bush, investigador da Universidade de Jena, a qual prova que é possível focar um feixe de elétrons com lentes magnéticas cilíndricas. Estavam assim elaboradas as bases teóricas do microscópio eletrônico, sendo o primeiro aparelho construído em 1931/1932 por Ernst Ruska (Prêmio Nobel da Física em 1986) e por Max Knoll. Em 1933 o microscópio eletrônico ultrapassava já o limite de resolução do microscópio óptico. No entanto, só após a Segunda Guerra Mundial o microscópio eletrônico se desenvolve completamente, sendo o Elmskop I, desenvolvido por Ernst Ruska e Bodo Van Bonier nos laboratórios da Siemens, o mais famoso dos primeiros microscópios eletrônicos.
              A microscopia eletrônica teve um rápido desenvolvimento em poucos anos, graças a grandes aperfeiçoamentos técnicos que permitiram não apenas maiores valores de ampliação, mas também aumentos sucessivos da capacidade de resolução e da qualidade das imagens obtidas. Estes progressos foram possíveis graças ao aperfeiçoamento dos métodos de preparação do material biológico para observação, sendo desenvolvidas várias técnicas, como a de obtenção de cortes ultrafinos e a de fixação de estruturas celulares através do uso de resinas sintéticas, entre outras. Uma variante do microscópio eletrônico com grande interesse para a biologia, já que permite a obtenção de imagens de material não seccionado, é o microscópio eletrônico de varredura ou scanning, desenvolvido pela primeira vez em 1965 pela empresa Cambridge Instruments. "

      Microscopia

      Nosso primeiro post será a respeito de microscopia, pois sem ela nada do que sabemos a respeito desses assuntos seria possivel. Existem varios tipos de microscópio, alguns serao expostos a seguir:

      Microscópio óptico: talvez seja o mais comum e é utilizado para visualização de laminas para a observação de células e tecidos, sendo assim muito importante para a disciplina de Histologia.
      Microscópio Eletronico: utiliza-se de uma tecnica de emissao de feixes de elétrons para a visualização de estruturas menores como a membrana plasmatica e os ribossomos. Pode ser utilizado na forma de varredura, que formece imagens em 3d e na forma de transmissao, com imagens em 2d
      Microscópio Estéreo: também é conhecido por "lupa eletronica", é utilizado para aumentos nao muito significativos onde necessita-se de imagens tridimensionais, como em casos de dissecção.

      Recentemente britanicos criaram o microscopio mais potente do mundo, que consegue visualizar estruturas com ate 50 nanômetros de comprimento utilizando se das ditas "ondas infinitesimais", que passam muito próximas aos objetos e normalmente eram perdidas. Essa tecnica usa minusculas contas de vidro que conseguem redirecionar essas ondas, possibilitando assim a visualização. Ai vai o link pra quem quiser ver a noticia completa:
      http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/03/110302_microscopio_potente_pu.shtml
      Beijos!

      Bom Dia!

      Esse blog foi criado com o intuito principal de publicar assunto relevantes e interessantes a respeito de Histologia e Embriologia Veterinária, disciplina referente ao primeiro ano de Medicina Veterinaria na Unicentro. Aqui serão postados artigos, novidades e curiosidades a repeito desses temas. Abaixo temos exemplos de ótimos livros. Bom aprendizado!